sábado, 14 de abril de 2007

Cultura estranha = comida esquisita





Já diria a sabedoria popular que “saco vazio não se põe em pé”. Por isso mesmo vivo sendo questionada sobre o que os ocidentais fazem para se alimentar sem tantos choques culturais; diria até que essa é a pergunta número um dos burajirujin (apertando a tecla sap: brasileiros), quando menciono que meu novo lar fica no “país dos terremotos”.
A primeira dúvida pode até ser infantil, mas é uma preocupação que tem cabimento, sim senhor. Afinal, todos querem saber se a comida japonesa que conhecemos é mesmo a comida consumida no Japão ou se existe uma farsa por trás de todo sushi bar, tão em moda no Brasil. Como todos já devem imaginar, a culinária asiática vai bem mais além do que os famosos sushis e sashimis, da mesma forma que a população “canarinha” não vive de caipirinha e feijoada.
Outra versão que circula no Brasil sobre esse tema é que sushi é comida de festa, que essa iguaria só vai à mesa quando há alguma comemoração especial. Mas não é. É comidinha normal, encontrada em marmitas (os famosos obentos) prontas nos supermercados, que custam pouco mais de 500 ienes, algo como cinco dólares.
Um lugar bastante popular aqui é o kaitenzushi (ver foto acima), restaurante onde os pratinhos ficam rodando com sushis e outras comidinhas numa esteira rolante. O preço é por prato, e cada um dos clientes, que ficam sentados ao redor da esteira formando um círculo, vão pegando o que dá vontade até se sentirem satisfeitos. No fim, o garçom conta o número de pratos que tem na pilha montada pelo “glutão” e calcula a conta, que é paga na saída. Prático, rápido e cômodo.
O detalhe que impressiona, para quem vem de fora, é a quantidade das porções vendidas, inclusive as industrializadas. Para mim, foi um tremendo choque sair dos Estados Unidos, onde fiz um pit stop de duas semanas antes de vir para o Japão, para ver que na terra do Godzilla tudo parece ser amostra grátis. E grátis com letra maiúscula! Como será que aquele macaco gigante faria para se alimentar, se ele fosse mesmo real? E o Ultraman, de onde tiraria tantos poderes?
A primeira vez que fui ao supermercado fazer compras parecia que estava indo a um passeio, porque tudo que estava nas prateleiras me chamava a atenção. A começar pelos peixes e vegetais, muitos que eu nunca havia visto. O que despertou a maior curiosidade foi um peixinho horrível, que até hoje não sei o nome, mas foi batizado por mim de “peixe minhoca”. Eles parecem piabas nanicas e são preparadas aos montes. Argh, nada apetitoso.
Ah, uma pista de que as comidas aqui são em porções minúsculas é o tamanho dos carrinhos de supermercado. Eles só dão para carregar duas cestinhas daquelas que costumamos ver aí no Brasil. Realmente, nunca vi um japonês encher as duas. Quer comer uma frutinha? Tá, tudo bem, você vai pagar por unidade. Até o limão, que no Brasil a gente vê uma dúzia vendida a R$ 1 no sinal, aqui custa cerca de 1,5 dólar. Mas isso é fichinha junto do melão. Uma vez parei em uma quitanda para olhar as frutas e vi que uma caixa com duas unidades (que são pequenas, vale salientar) saía por espantosos cem dólares!! Soube que tem gente que dá melão de presente no aniversário de um grande amigo, de um parente... Ainda bem que nunca gostei de melão!
Sim, não poderia esquecer das guloseimas, tão estranhas quanto os peixinhos minhoca. Biscoito de chocolate tem, mas muitas marcas são importadas. Pelo que deu para perceber, a especialidade daqui é o biscoito exótico: tem de arroz com açúcar (meu favorito), de feijão, de molho shoyo… E nada daqui é doce mesmo, porque as pessoas não gostam de açúcar.
A primeira vez que fui almoçar fora cometi a sandice de perguntar onde tinha açúcar para eu pôr no chá. O garçom ficou desconsertado ao dizer para a pobre gaijin que simplesmente não tinha. Na hora achei um absurdo, coisa de outro mundo, mas agora sei como eles conseguem manter uma silhueta tão mignon. Aliás, ninguém aqui deve morrer de diabetes, pois em NENHUM restaurante tem açúcar, e comprar refrigerante também é difícil, se não for nas máquinas que existem nas esquinas. O negócio é se acostumar a beber água ou chá verde, que é ruim, mas emagrece.
Os nipônicos também gostam de suco de vegetais, e muitos não têm uma frutinha sequer no meio. É suco de abobrinha com cenoura, de tomate com acelga e por aí vai. O último que tomei, da marca Kagome (com um nome desses o negócio não podia mesmo prestar... Olhem a cara do produto na foto, para nunca correr o risco de comprar), parecia molho de tomate gelado, um horror!
Bem, como já deu para notar, coisas diferentes não faltam por aqui. Hoje vou deixar vocês com essas duzentas linhas, respirar e tomar um copo de água da torneira, que é insípida, inodora, incolor e de graça. Prometo que da próxima vez não conto tudo nos mínimos detalhes!

17 comentários:

natalia disse...

Filha, Por favor traga uma garrafa de Kagome pra mim!!!! Eu vou adorar!!! Ou então vamos abrir uma barraquinha de melão em Tóquio??? Eu mando pelo sedex... KKKKKKKKKKK!!!! Vamos ficar ricas!!! rsrsrsrsrs!!! Te amo! Bjs! Teu blog tá massa!!

Bruna Siqueira disse...

Mãe, Kagome é uma miséria!! kkkkk! Se bem que tem um suco dessa marca que é bom, o de frutas vermelhas. Pode deixar que quando eu voltar ao Brasil vou levar um estoque de comidas estranhas pra vcs provarem. kkkkk! Bjoooooo! Te amo!

Kleber disse...

Adorei. Pode escrever à vontade pq O legal é exatamente esses detalhes.

Dani Oliveira disse...

Menina, num instante eu ia ficar manequim 34 com essas opções gastronômicas kkkkkkkk!!!!! E os preços, então!!! Poxa, aqui a gente come fruta de esnobar, tudo tão barato, enquanto aí o melão (ainda bem que não gosto) custa essa fortuna. Neste quesito (APENAS NESTE, valei salientar), ponto para o Brasil :P

Tereza disse...

Bruna, estou adorando os seus textos...
Agora sei porque os japoneses são tão magrinhos...
Viver sem açúcar deve ser muito ruim ;P
Bjo
Inha

Walton Ribeiro disse...

Não tem açúcar por aí? Que tal você falar com o seu ex-chefe para ele investir neste nicho de mercado? Você poderia ser a representante asiática do açúcar Diamante!
Salvei um bookmark do seu blog aqui, para ler sempre. Um chêro, menina. Divirta-se. >:P

Bruna Siqueira disse...

Pois é, Walton, eu até pensei nisso!! kkkk! Mas acho que as vendas seriam um fracasso, pq japonês é fino, meu bem!

Luciana disse...

Bruna adoro seus textos. E como adoro cultura oriental, estou amando. fala ai como é a produção de cinema tbm. Ah, quero saber mais sobre a culinária. Esse suco de tomate até que eu tomaria...hihihih...já o mão...ia ser sacrifício, pois adoro. bjs

Iale disse...

Bruninha, tás sofrendo com essa mudança alimentar, né, nêga?
Parabéns pelo blog, estaremos conectados nas aventuras de uma 'gaijin' em Tóquio.
Agora melão, que eu gosto demais, só iria comer quando viesse de férias no Brasil; e esse suco com cara horrorosa, que à primeira vista pensei que fosse molho de pimenta ou um super catchup, deve ser UÓ mesmo! :o
Ah! E da próxima vez que for aos restaurantes, enche os bolso com pacotinhos de mel ou então de balinhas de hortelã :D
Beijos pra tu e DIVIRTA-SE!!

Adriana Cavalcante disse...

Bruninha, os detalhes é que faz a diferença. Fica tranquila...bjs

Maria disse...

Adorei seu blog, principalmente, o post "Ser estranho é normal".
;)

Bruna Siqueira disse...

oi, pessoal! Valeu pela interação, é isso que faz o blog ficar legal! Ah, já que ninguém se incomodou, podem deixar que não vou poupá-los dos detalhes. Sim, aos que perguntaram sobre comida, digo que a minha transição alimentar ainda está em processo: não como peixe no almoço, mas aos poucos já adoto umas comidinhas daqui no meu cardápio, como o yakisoba e o missoshiro, que é uma sopinha de soja bem gostosa, acompanha almoço e jantar. Ah, também já comecei a gostar de suco de verduras. Mas só de um, claro! bjo em todos!

Erika disse...

Amiga, aproveita essa dieta forçada pra voltar mais bela e esbelta...
Ai, e eu adooooro suco de tomate, até tempero com pimenta e molho inglês, djilíça!
Quando vier por aqui, traz um Kagome pra mim. Esse de tomate com cenoura parece bom :oP

Juliana disse...

Bruna, tô me atualizando no blog!!! Estou amando! beeeiiijoosss.

Ricardo L disse...

Oi Bruninha, td bem?
Fantastico esse seu blog!
Estah de parabens!
Ficarei aqui acompanhando essa sua passagem pelo oriente, desejando a vc e a Gustavo muita paz, amor e sucesso!
Abracao e um Beijao!
Tio Miminho

aline disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
aline disse...

Não consigo mais sair do seu blog, confesso que estou viciada, rsrs... Vc tem página no orkut? Vou me formar em Design de interiores e adoro novas culturas, e curiosidades de outros países, sem querer abusar da sua boa vontade, sei que vc é muito ocupada. Você teria algum material à mais pra me enviar por email? Adoro tudo que você escreve, tenho um tio que mora nos Estados Unidos que trabalha na globo de NY, ele tbm adorou o que viu em seu blog. Parabéns mais uma vez!
Qualquer coisa meu email é: alinebelarmino@hotmail.com